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terça-feira, 19 de novembro de 2019

Instituto Internacional Juarez Machado recebe exposição “Escuridão Iluminada”

Obras do artista Lauro Andrade trazem fusão entre fotografia, artes gráficas e pintura

Artes Visuais Exposições em Joinville


Lauro Andrade


Um ano após o lançamento do inovador livro VIVA A VIDA (Creative Process: Florianópolis, 2018), o qual apresenta uma interpretação altamente pessoal das viagens que realizou ao redor do mundo, a exposição “Escuridão Iluminada” traduz a abordagem multidisciplinar de Lauro Andrade às artes plásticas. Acompanhadas de uma trilha sonora criada especificamente para a mostra, pelo curador canadense Scott MacLeay, que também é artista de novas mídias e compositor, o trabalho resulta em uma instalação imersiva que evoca representações oníricas de tais experiências. O resultado do trabalho poderá ser apreciado a partir do dia 23 de novembro, às 10h, na vernissage que abre a exposição no Instituto Internacional Juarez Machado, em Joinville (SC).
As viagens do arquiteto aposentado pelo mundo, com lugares como Tanzânia, Irã, Nepal e Índia, têm um propósito singular. Elas são autobiográficas. Constituem uma maneira de ganhar perspectivas valiosas na jornada pessoal pela vida. Andrade não documenta suas viagens de maneira tradicional. Ele emprega a fotografia como uma ferramenta para coletar dados na forma de imagens, tanto de pessoas quanto de lugares. “Ao sair para fotografar, a emoção antecipa o meu olhar e alimenta a minha busca de situações fora do senso comum, o acaso. Nessas andanças mundo afora no processo de captura, vejo as cenas imagéticas esfaceladas”, conta Andrade. As viagens são, simultaneamente, espelhos e janelas: trazem clareza e profundidade aos seus pensamentos, sentimentos e perspectivas sobre o lugar que ocupa no universo.



“Faço parte de uma geração destruída, fragilizada com a quebra de tabus. Nasci no final da segunda guerra mundial e aqui no Brasil fim do Estado Novo e mudança da capital federal para Brasília, que traz uma nova visão de arquitetura e urbanismo. Surge a geração do rock, acontece o Festival de Woodstock e explode a contracultura, que vem quebrando comportamentos e conceitos nessa globalização. Com todas essas mudanças, vejo nas minhas imagens fragmentadas um novo processo de compor esse mosaico social, criando novos ambientes das cenas imagéticas com cortes, interferências e quebra de regras da fotografia. Crio uma narrativa poética dos fragmentos”, analisa o artista de novas mídias.

Em virtude disso, imagens de pessoas e lugares nesta exposição refletem compreensões acerca de uma realidade existencial particular, uma dinâmica de interações imprevisíveis em constante evolução. Ilustram a importância da visão periférica e a interferência desta na compreensão de sua própria vida e das dos outros. “Ele parece ter olhos atrás da cabeça ao reunir fragmentos e detalhes de sua visão periférica, priorizando-os ao compor uma visão panorâmica de sensações e pensamentos reflexivos sobre suas experiências”, diz o curador da mostra.

O processo criativo de Andrade envolve a desconstrução, reestruturação, repetição e reconstrução de imagens compostas de fragmentos de fotografias entrelaçadas com elementos gráficos arrojados sem textura. O resultado é uma forma dúbia de realismo semi-abstrato, com nuances impressionistas ambíguas.

A magia da obra de Andrade é encontrada em sua capacidade de identificar e revelar significados simbólicos onde a maioria de nós não percebe nada de aparente importância. As justaposições que ele propõe expressam a ambivalência do uso da interferência como metáfora para os eventos inesperados que constantemente animam nossas vidas das formas mais improváveis e íntimas – ambiguidade que é tão concretamente produtiva quanto fugaz e intangível.

A exposição “Escuridão Iluminada” abre no dia 23 de novembro, às 10h, no Instituto Internacional Juarez Machado. A visitação segue até o dia 7 de fevereiro de 2020, sempre de terça a sábado, das 10 às 18h30. Domingos e feriados das 15 às 18h30. A entrada para a mostra é gratuita.